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Saúde e cuidados

Cuidados com o pelo do Rottweiler

A pelagem do Rottweiler é curta, mas é dupla — e essa segunda camada explica quase tudo: a queda que aparece duas vezes por ano, a razão de não tosar e o motivo de banho demais fazer mal em vez de bem.

Redação Canil Mansur08/06/2025Atualizado em 01/09/20265 min de leitura
Rottweiler adulto do plantel do Canil Mansur
Pelo curto, rijo e assentado, com marcações castanhas bem delimitadas. A manutenção é baixa — o que não significa nenhuma.

De todas as raças de grande porte, o Rottweiler é das que menos dão trabalho nesse quesito. Mas "baixa manutenção" virou sinônimo de "nenhuma manutenção", e é aí que aparecem os problemas, quase todos de excesso, não de falta.

É pelagem dupla, e isso explica o resto

O pelo do Rottweiler é curto, rijo, denso e assentado ao corpo. O que não se vê é a subpelagem, uma camada interna mais macia, presente principalmente no pescoço e nas coxas, e mais desenvolvida em cão que vive exposto ao frio.

Essa segunda camada é o que faz o cão soltar pelo o ano inteiro e muito mais em duas épocas, as trocas de estação. E é ela que torna a tosa uma péssima ideia: a subpelagem isola tanto do frio quanto do calor, e o pelo de cobertura protege a pele do sol. Rottweiler tosado não fica mais fresco; fica desprotegido, e a pelagem costuma voltar com textura irregular.

Rottweiler solta muito pelo?

Solta, e a resposta honesta é o ano inteiro, com dois picos, nas trocas de estação, quando a subpelagem cai em volume que assusta quem não esperava. Preto e castanho aparecem em roupa clara e em tecido escuro, cada um à sua maneira.

Não é sinal de problema, não é falta de banho e não há escovação que zere. O que existe é rotina que torna o volume administrável: escovação semanal fora das trocas, diária nas duas ou três semanas de pico, e aspirador com filtro que segure pelo curto. Quem não convive bem com pelo em casa deveria saber disso antes de escolher a raça, não depois.

O que não resolve é tosa: a subpelagem isola do frio e do calor, e o pelo de cobertura protege a pele do sol. Rottweiler tosado não solta menos; fica desprotegido e a pelagem volta irregular.

Escovação: pouco, mas com constância

Rottweiler adulto do plantel do Canil Mansur
Escovação semanal em rotina normal, e a cada dois ou três dias nas trocas de estação.

Uma vez por semana dá conta na maior parte do ano. Nas trocas, suba para a cada dois ou três dias, que é o que decide se o pelo morto sai na escova ou no sofá.

Duas ferramentas resolvem. Escova de cerdas firmes ou luva de borracha para o dia a dia, porque removem o pelo solto e distribuem a oleosidade natural, que é o que dá brilho. E rastelo de subpelagem, só nas trocas, que alcança a camada interna sem raspar a pele. Use com mão leve: insistir no mesmo ponto irrita.

Escove a favor do pelo, com pressão de carícia. Em cão que nunca foi escovado, comece por sessões curtas nas áreas que ele aceita bem, flanco e peito, e deixe patas e cauda para depois. Cinco minutos aceitos valem mais que vinte suportados.

O ganho não é só estético: escovar semanalmente é quando você encontra carrapato, nódulo, ferida e área sensível cedo.

Banho: quando sujar, não pelo calendário

O erro mais comum é banho demais. O manto do Rottweiler tem uma camada de óleo natural que impermeabiliza e protege; banho frequente remove essa camada, resseca a pele e produz exatamente a coceira que o banho pretendia resolver.

A cada dois ou três meses costuma bastar em cão de casa. Fora disso, quando sujar de verdade.

O que importa mais que a frequência é o shampoo próprio para cão, porque produto humano tem pH incompatível e resseca; o enxágue completo, já que resíduo em pelagem densa é a causa mais frequente de irritação depois do banho; e a secagem de verdade, porque subpelagem úmida demora a secar sozinha e é onde nasce dermatite. Toalha, e secador em temperatura morna se o cão aceitar.

O resto da rotina

Orelhas. A orelha caída do Rottweiler retém calor e umidade. Olhe uma vez por semana: cera excessiva, odor forte, vermelhidão ou cão que sacode a cabeça pedem veterinário. Limpe só a parte visível, com produto próprio, porque cotonete empurra sujeira para dentro.

Unhas. Devem ser cortadas antes de tocar o chão de forma audível. Unha longa muda o apoio da pata e sobrecarrega articulação, e em um cão de 50 quilos isso acumula.

Dentes. É a parte mais negligenciada e a que mais causa problema depois. Escovação com pasta canina, algumas vezes por semana.

Pele. Aproveite a escovação para passar a mão inteira no cão. Nódulo novo, área quente, ferida ou perda de pelo localizada merecem consulta.

Quando o pelo é sintoma

Rottweiler adulto do Canil Mansur em área externa
Pelo opaco, quebradiço ou com falhas quase sempre indica algo que não está no pelo.

Pelagem é termômetro. Quando muda sem explicação, o problema costuma estar em outro lugar. Pelo opaco ou quebradiço aponta para alimentação inadequada ou má absorção. Queda intensa fora de época, com coceira, para alergia alimentar ou ambiental, pulga ou dermatite. Falhas simétricas nos dois lados sugerem causa hormonal, como hipotireoidismo, que tem incidência relevante na raça. Feridas circulares indicam possível dermatofitose, que é transmissível a pessoas. E vermelhidão entre os dedos é comum em alergia de contato.

Nenhum desses se resolve com banho.

Alimentação e pelo andam juntos

Boa parte do que aparece na pelagem começa no pote. Proteína de qualidade e ácidos graxos ômega-3 e ômega-6 sustentam pele e pelo, e cão bem alimentado tem brilho sem precisar de produto nenhum. Tratamos disso em alimentação de Rottweiler.

E a expectativa realista está no começo deste texto: Rottweiler solta pelo, e é parte do que a raça exige. Listamos o resto em Rottweiler.

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