Como preparar seu Rottweiler para a chegada de um bebê
O trabalho começa meses antes do parto, e o motivo é simples: se todas as mudanças acontecerem no dia em que o bebê chega, o cão associa a perda de espaço ao bebê. Antecipar as mudanças desfaz essa conta.

O Rottweiler costuma ser tolerante com as crianças da própria família. É parte da seleção da raça, que distingue quem é de casa de quem não é.
Mas a chegada de um bebê não é sobre tolerância. É sobre mudança de rotina, e é aí que mora o erro mais comum: mudar tudo de uma vez, no dia em que o bebê chega em casa.
Do ponto de vista do cão, a conta fica simples e errada: o bebê chegou e eu perdi o quarto, o colo, o horário do passeio e a atenção. Antecipar as mudanças desfaz essa associação.
Meses antes: mudar a rotina agora
Faça, com semanas ou meses de antecedência, tudo que vai mudar depois.
Ajuste os horários de comida e passeio para os que serão possíveis com o bebê em casa. Se o passeio vai passar das 7h para as 9h, mude agora. Delimite os espaços novos: se o quarto vai ficar proibido, proíba desde já, não na semana do parto. Reduza gradualmente o tempo de colo e atenção, se ele hoje é intenso, porque reduzir aos poucos é diferente de cortar.
Monte o quarto do bebê cedo e deixe o cão conhecer os móveis com calma, sem excitação. Berço, carrinho, trocador: tudo cheirado antes de ter bebê dentro.
E resolva a obediência básica. "Fica", "vai para o seu lugar" e "não pula" precisam funcionar antes, não depois. Detalhamos em obediência de Rottweiler.
Semanas antes: sons e cheiros

Ponha choro de bebê em gravação, começando em volume muito baixo e associado a algo bom, como comida, carinho ou brincadeira. Suba o volume ao longo de dias. O objetivo é que o som deixe de ser novidade e passe a prever coisa boa.
Apresente os cheiros novos, creme, lenço umedecido, sabonete de bebê, deixando-o cheirar com calma. E os objetos que se movem: carrinho de bebê, cadeirinha, bebê conforto. Passeie com o carrinho vazio antes, para o cão aprender a andar ao lado dele.
O dia da chegada
Cumprimente o cão primeiro, sem o bebê. Ele vai estar eufórico depois de dias sem ver alguém da casa. Deixe essa energia sair antes. Uma roupinha do bebê, levada do hospital, dá o cheiro antes do encontro.
A primeira apresentação é curta e com o cão na guia. Sentado, calmo, a distância que ele aceite. Deixe cheirar de longe, elogie a calma e encerre enquanto está bom. Não force aproximação e não segure o bebê perto do focinho. Repita curto, várias vezes, em vez de um encontro longo.
Os primeiros meses

Reserve tempo exclusivo com o cão, todo dia, nem que sejam dez minutos de passeio ou de treino só dele. É o que impede a associação entre bebê e perda.
Nunca deixe os dois sozinhos. Nem por um instante, nem com o bebê no chão, nem no sofá. Supervisão é adulto na mesma sala, olhando.
Garanta um lugar de refúgio para o cão, onde ninguém o incomoda, nem a família, nem visitas. Cão sem rota de fuga precisa avisar de outro jeito.
Não puna o cão perto do bebê. Se ele levar bronca sempre que o bebê está por perto, aprende que bebê significa coisa ruim. E inclua-o na rotina em vez de excluí-lo: leve os dois no passeio, deixe-o ficar na sala durante a mamada, no lugar dele.
O que observar
Sinais de que ele está desconfortável e pede mais distância: ficar rígido, virar a cabeça, lamber os beiços, bocejar fora de hora, mostrar a parte branca do olho, sair de perto.
Sair de perto é uma escolha saudável, então deixe. Cão impedido de se afastar é cão que precisa avisar de outro jeito.
E a regra que vale sempre: nunca puna o rosnado. Ele é o último aviso, e removê-lo não remove o motivo. Cão que aprendeu a pular o aviso é o cão que "mordeu do nada".
Quando chamar profissional
Antes, e não depois: se o cão já tem histórico de reatividade, guarda de recurso ou desconforto com crianças, comece a trabalhar isso durante a gestação, com ajuda profissional. Prazo aqui não é negociável.
E se aparecer rosnado dirigido ao bebê em qualquer momento, é caso de profissional imediatamente, com separação física garantida enquanto isso. O caminho está descrito em Rottweilers e crianças.
